EXCLUSIVO: A bola fora da advogada da igreja Bola de Neve e do Apóstolo Rina
https://genizah-virtual.blogspot.com/2014/07/exclusivo-bola-fora-da-advogada-da.html
Taís Piccinini, advogada da igreja Bola de Neve, é acusada de plágio em obra de direito eclesiástico. Como resultado da reportagem investigativa de Genizah, a Editora Saraiva decide recolher a obra das livrarias.
Disse-lhe Jesus: "Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão."
Ou quem com livro fere, com livro será ferido...
No inicio de maio de 2014 recebemos denuncia anônima com uma alegação de plágio envolvendo a advogada da Igreja Bola de Neve em obra recém lançada pela Editora Saraiva, uma das mais renomadas editoras do país no segmento jurídico.
Segundo o website da autora, o livro “Manual Prático de Direito Eclesiástico” é uma obra trazendo uma proposta pioneira no assunto, visando fornecer subsídios para introduzir o Direito no campo eclesiástico, permitindo a aplicação da ciência de forma específica, mensurando os conceitos básicos do próprio Direito Eclesiástico, à aplicação dos outros institutos do Direito na rotina das entidades religiosas e de seus líderes, dando aos líderes eclesiásticos subsídios para promoverem a regularização jurídica de igrejas, bem como de conduzirem, nos moldes legais, sua administração.
Ou seja, estamos tratando de tema absolutamente vinculado ao melhor exercício da condução ética e legal das intuições religiosas.
A autora, Dra. Taís Amorim de Andrade Piccinini, por sua vez, além de advogada é pastora evangélica. Ela é a principal jurista da Bola de Neve e lidera uma “congregação” da organização religiosa em Vila Velha, no Espírito Santo, juntamente com o seu esposo, o Pr. Júnior Piccinini.
A denúncia
A seguir a transcrição do e-mail que recebemos com a denúncia. O IP é de Recife –Pernambuco:
| Um segundo e-mail foi enviado após 3 dias com a indicação de mais links |
Senhor Danilo,
Ficamos sabendo de uma situação muito feia envolvendo uma pastora da Bola de Neve. É uma advogada, chamada Taís Amorim Piccinini, que escreveu um livro chamado "Manual Prático de Direito Eclesiástico". O site dele pode ser visto aqui: www.direitoeclesiastico.com.br.
Este livro foi editado pela Editora Saraiva, muito conhecida no Brasil por editar livros do Direito.
Acontece que esta senhora PLAGIOU um livro português, do autor José Marnoco e Souza, chamado "Direito Ecclesiastico". Estou compartilhando contigo o link no google drive para acesso a isto:
(LINKS)
Isto é vergonhoso! Tem que divulgar no Genizah! Tem que fazer alguma coisa, porque é uma falta de ética muito grande, usando esta obra para promover indevidamente o nome desta "pastora" e "advogada", com aspas mesmo, pois não merece ser nem uma nem outra.
Obrigado pela atenção e espero sinceramente que o senhor possa fazer alguma coisa.
Inicialmente, antes de considerar produzir esta matéria fomos conferir os links enviados e os trechos acusados de plágio. Em seguida, entramos em contato com advogados atuando no segmento a fim de confirmar as alegações feitas pelo denunciante. Finalmente, tentamos contato com a biblioteca da Universidade de Coimbra, em Portugal, para a qual, enviamos trechos comparativos das duas matérias. A resposta oficial da consulta realizada em Coimbra deve tardar, mas já tivemos uma reação informal inicial dando a dimensão do desprezo pela atitude da autora.
O plágio
A seguir, temos um link apontado para um servidor com algumas páginas da obra de Taís Piccinini – reprodução do original publicado pela Editora Saraiva adquirido pelo denunciante. Ali, são assinalados trechos tidos por plagiados da obra do português José Marnoco e Souza e a página correspondente em sua obra "Direito Ecclesiastico", publicado em 1905.
Os trechos apresentados, segundo o denunciante anônimo, são apenas uma amostra do plágio. Foram diversos parágrafos copiados, segundo a pericia realizada para o parecer jurídico respaldando esta matéria do Genizah.
Já no link abaixo, temos outro servidor hospedando o PDF da obra de Marnoco e Sousa.
A Obra de Marnouco e Sousa também pode ser encontrada no website da Fundação Visconde de Cairú – BA, que possui um exemplar original:
Não resta a menor dúvida de que diversos trechos foram descaradamente copiados, em alguns casos, parágrafos inteiros. Em outros, com sutis versões do português de Portugal do inicio do século passado, para o português corrente do Brasil.
Plágio Premeditado
| Ap. Rina no lançamento no livro de sua advogada |
A existência da obra de Manoco foi totalmente ignorada no livro de Piccinini. Nenhuma citação foi identificada no corpo do texto, nenhuma nota de rodapé. Nada. E, pasmem: a total ausência de menção da obra original de José Ferreira Marnoco e Souza, "Direito Ecclesiastico” também na tabela de REFERÊNCIAS do livro de Piccinini. Ou seja, tantas citações omissas, parágrafos inteiros, e nenhuma menção à obra principal exclui a possibilidade de falha intencional de revisores. De fato, é preciso mesmo pesar que houve malícia por parte da autora. Isto fica evidenciado em um dos parágrafos usurpados, Havia ali, no texto original de Marnoco e Sousa uma citação a uma terceira obra e autor. Na obra plagiada, a citação feita por Marnoco e Sousa foi mantida. Incrivelmente, até mesmo a obra e o autor citado em "Direito Ecclesiastico” consta das REFERÊNCIAS no livro de Piccinini, contudo o próprio José Ferreira Marnoco e Sousa ou qualquer de seus livros seguiram sem qualquer menção.
A Dra. Tais Piccinini foi procurada no dia 17/06/2014 por e-mail e telefone (procedimento documentado e auditado por nossos advogados) em seu escritório na capital paulista e em seu celular privado. Foi dada a esta a oportunidade de comentar a matéria. Genizah enviou cópia da denúncia original, incluindo os links das duas obras –a original e a denunciada- com as devidas anotações. A resposta de Piccinini foi categórica:
“A “denúncia” não tem fundamento. Não há qualquer efetividade em se plagiar uma obra jurídica estrangeira, já que legislação internacional não se aplica aqui no Brasil. O meu livro é uma manual jurídico prático, tendo 17 dos 18 capítulos referência de aplicação prática da legislação pátria. O único capítulo com referências internacionais é o primeiro, que trata apenas dos conceitos. E tudo foi escrito nos termos da Lei 9610/98. Se você apenas folhear o meu livro poderá constatar isso.”– respondeu por e-mail ao editor do Genizah, Danilo Fernandes.
“A “denúncia” não tem fundamento. Não há qualquer efetividade em se plagiar uma obra jurídica estrangeira, já que legislação internacional não se aplica aqui no Brasil. O meu livro é uma manual jurídico prático, tendo 17 dos 18 capítulos referência de aplicação prática da legislação pátria. O único capítulo com referências internacionais é o primeiro, que trata apenas dos conceitos. E tudo foi escrito nos termos da Lei 9610/98. Se você apenas folhear o meu livro poderá constatar isso.”– respondeu por e-mail ao editor do Genizah, Danilo Fernandes.
Enviamos a resposta de Piccinini ao advogado Jean Regina, atuante da área do direito tributário, eclesiástico e direitos autorais. Dr. Regina é também conselheiro da CCLI (Christian Copyright Licensing International) e diretor da ANAJURE – Associação dos Juristas Evangélicos. Dr. Regina, analisou o texto e confirmou a procedência do texto de Marnoco e Sousa, a obra plagiada. Conhecendo as duas obras, o consultor jurídico afirma que a legislação internacional deve ser observada em solo brasileiro, segue alguns trechos do parecer:
“A Convenção de Berna garante ao autor os direitos morais sobre sua obra, independente de quando foi criada, nos 165 (cento e sessenta e cinco) países signatários que compõem a União de Berna (...) O Direito Internacional que rege os direitos do autor se aplicam em solo brasileiro nos termos da Convenção de Berna. (...) a título ilustrativo, qualquer pessoa que produzir uma obra literária, na introdução desta obra, não pode “tomar” emprestado, como sua fosse, grande parte da introdução da obra “O Banquete” de Platão, escrito em 380 a.c., sem citá-lo, e, mesmo citando-o, poderia reproduzir apenas pequenos trechos”.
Diante da gravidade da denúncia e, já temendo represálias por parte da autora, Genizah solicitou ao Dr. Regina um parecer jurídico sobre a questão. Regina e seu sócio, o Dr. Thiago Vieira, também diretor (jurídico) da ANAJURE, elaboraram um Parecer Jurídico sobre o caso. Segue outro trecho do parecer em que o Dr. Vieira adiantou:
“A reprodução de trecho de obra preexistente já tornada pública em obra nova na tentativa de se passar como autor, não dando a devida menção ao autor original, configura-se, em tese, o famoso "plágio", inclusive quanto a forma dada à obra, e não a ideia da mesma, nos termos do art. 8º, I da Lei 9610/98.Toda e qualquer reprodução de trechos de obra preexistente deve possuir a citação do autor e da obra, sendo que apenas a reprodução de pequenos trechos, com a devida citação, que não caracteriza ofensa ao direito moral do autor, grandes trechos, mesmo com citação do autor, caracteriza-se, também, como ofensa ao direito autoral. Lei 9610/80, art. 46, inciso III e VIII”.
| Regina e Vieira foram consultados para a matéria |
Vieira - Regina ainda incluem em seu parecer as confrontações dos textos da obra original de Manoco e as violações do direito deste autor na obra “Manual Prático de Direito Eclesiástico” publicado pela Editora Saraiva. O parecer completo pode ser lido no LINK abaixo:
http://www.genizahzine.com/juridico/parecer.pdf
O parecer de Vieira - Regina confirma o plágio denunciado inicialmente e ainda apresenta outros trechos da obra de Manoco citados por PICCININI, totalizando ONZE trechos, sem quaisquer créditos. Adianta ainda, a citação de um trecho atribuído a um terceiro autor, este também citado na obra original, mas que, com as referencias equivocadas, falhou em se utilizar da indicação devida, nos termos da NBR10520:2002. Segundo os autores do parecer, as sanções constatadas podem ter repercussões da esfera civil e criminal.
O curioso é que a própria Dra. Tais, em sua própria obra ,quando oferece seus conselhos a gestores de congregações evangélicas, afirma da obrigatoriedade de da autorização para reprodução de obra escrita.... "portanto, a autorização para reproduzir uma obra escrita por outrem não é uma faculdade, mas sim um obrigatoriedade, sob pena de obstar a publicação de determinada obra.” (PICCININI, Tais Amorim de Andrade. Manual Prático de Direito Eclesiástico. Ed. Saraiva, 2013, p. 202). Alguém explica?!?!?
Reação da Editora Saraiva:
A obra será recolhida preventivamente
Garantido pelo parecer enviado por Vieira - Regina, Genizah entrou em contato com a Editora Saraiva, a prestigiada casa publicadora. Enviamos as evidencias obtidas e o parecer do escritório contratado. Ao contrário de Piccinini, a Saraiva deu à denuncia o devido peso e atenção. Recebemos a seguinte resposta oficial da editora:
“Com relação ao relato sobre plágio da obra "Manual Prático de Direito Eclesiástico" (PICCININI, Tais Amorim de Andrade), a Saraiva esclarece que está sendo realizada uma criteriosa e detalhada análise técnica para apuração dos fatos. Preventivamente, informamos estar em processo de recolhimento dos exemplares da obra atualmente disponíveis no mercado.
Agradecemos o contato e o interesse pela obra e a Saraiva reafirma o seu compromisso em editar e publicar obras, que cumpram a legislação, em especial da Lei de Direitos Autorais”.
Quem com livro fere, com livro será ferido
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| O livro de Maranhão está à venda na Saraiva (AQUI) |
O caso envolvia o livro A grande onda vai te pegar: marketing, espetáculo e ciberespaço na Bola de Neve Church. O autor, o acadêmico Eduardo Meinberg Maranhão confirmou a participação da advogada no episódio de truculência.
Piccinini liderou o ataque judicial de altíssimo calibre de parte da Bola de Neve Church contra o Du (Meinberg Maranhão). O apóstolo Rinaldo Seixas, líder da organização religiosa, organizou uma legião de seus seguidores para atormentar o autor nas redes sociais. Du sofreu um tremendo perrengue ao lançar o seu livro. Foram pleitos jurídicos sucessivos, inclusos ameaças de processo por danos morais e tentativas de obter a tutela antecipada para o recolhimento da obra, ainda antes de seu lançamento. No comando da operação censura estava a advogada da Bola de Neve, Dra. Taís Amorim de Andrade Piccinini e, na oportunidade, ela própria, se fez presente à noite de autógrafos do livro de Meinberg, devidamente acompanhada de dois leões de chácara truculentos a fim de intimidar o autor e os convidados da festa de lançamento e tentar impedir a venda do livro.
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| Du Maranhão (ex-membro da Bola de Neve) sofreu tentativa de censura de sua obra por parte do apóstolo Rina |
A decepção e horror de Rinaldo Seixas com mais esta derrota não foi pequena. Mais um golpe em um ano de sucessivas matérias-denúncia da mídia contrárias a sua organização. (LEIA A MATÉRIA COMPLETA AQUI). A justiça foi feita e o desembargador relator deu efeito suspensivo ao recurso dos advogados da igreja Bola de Neve decidindo em favor da livre circulação da obra e pela liberdade de expressão.
A grande decepção do apóstolo Rina
A seguir, temos um vídeo produzido por ocasião do lançamento do livro da Dra. Piccinini. No vídeo, o repórter cinematográfico Getúlio entrevistou a autora e o apóstolo Rina. A Piccinini se desdobrou em estabelecer a necessidade de manutenção dos mais altos padrões éticos na atuação das intuições religiosas. Já o seu apóstolo, o Sr. Rinaldo Seixas, discorre na entrevista sobre as qualidades de sua advogada e sobre a importância da correção em toda a prática cristã.
Um belo exercício de hipocrisia
É incrível como à luz dos fatos que agora são de conhecimento do leitor, a reportagem acima sobre o Manual Prático de Direito Eclesiástico nos parece com a receita para o veneno dos fariseus.
Sobram péssimos testemunhos entre autores evangélicos
| Driscoll enfrenta denuncias da plágio Foto Reprodução Internet |
Os crentes –os falsos- riscaram o “não roubarás” dos mandamentos de Deus.
Ops
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Essa "adoração" de vendilhões nos templos seria atacada pelo Senhor com azorrague também em nossos dias.
ResponderExcluirDesonestidade.
ResponderExcluirÉ muito difícil comentar pelo blogspot.
ResponderExcluirMal lhe pergunte, Danilo, mas por que o Genizah mudou de plataforma? Tenho certeza que muitos gostariam de saber disso.
Ps: ótimo post :)
Este comentário foi removido pelo autor.
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ExcluirFica obvio que na BN não há só pobreza espiritual, mas intelectual também.
ResponderExcluirchamar uma seita ridícula dessa de igreja é afrontar a fé séria de milhões que creem em alguma transcendência, seja ela cristo, buda, alá, ogum, tupã, krishna, etc.
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