Igreja estadunidense protesta contra nova lei que permite comerciantes recusarem clientes gays
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A lei do estado de Indiana (USA) permite a lojistas e prestadores de serviços reusarem atendimento a gays com base em suas crenças religiosas.
Nesta última quinta-feira (26 de março), o Gov. Mike Pence do estado de Indiana, nos Estados Unidos, assinou uma polêmica lei de inspiração fundamentalista, a chamada "Religious Freedom Restoration Act" que permite a comerciantes e profissionais do Estado de Indiana se recusarem a atender clientes gays sob a alegação de convicções religiosas pessoais. Segundo o noticioso Huff Post, isto significaria que, por exemplo, um fotografo possa se recusar a fotografar um casamento de lésbicas, alegando que isto fere as sua religião.
Há muita discussão constitucional a respeito do alcance e validade desta lei e há quem afirme que este debate alcançará a suprema conte do país, contudo a lei já está em prática. Outros defendem que a lei é um baluarte na defesa da liberdade religiosa: "A fé e a religião são valores importantes para milhões de cidadãos de Indiana e com a aprovação desta legislação", disse o governador Pence em um comunicado, "podemos garantir que Indiana continuará a ser um lugar onde respeitamos a liberdade de religião e onde a ação do governo vai sempre colocar no mais elevado escrutínio o respeito às crenças religiosas de cada cidadão e de cada fé. "
O Governador Pence, após a assinatura da lei, disse aos jornalistas que Indiana "deveria ter feito isso há muito mais tempo", e ele rejeitou a ideia de que o estado pagaria um alto preço financeiro ao impor esta lei: "A economia do estado vai bem e os meios de comunicação têm interpretado que a lei não sanciona a discriminação, mas protege-as de um governo que as possa forçar a agir contra suas crenças religiosas profundamente arraigadas".
O governador lembrou que leis semelhantes já estão em vigor em outros estados dos Estados Unidos e citou a recente e polêmica decisão do Supremo Tribunal dos estados Unidos no caso "Hobby Lobby", envolvendo o sistema de saúde. Este foi um episódio marcante de 2014 que levou à batalha cristãos evangélicos, governos progressivas, feministas e a imprensa secular em torno de um processo movido por uma empresa que se recusou a pagar pelo aborto de uma de suas funcionárias.
Para os que desconhecem a matéria, os valorosos e avançados Estados Unidos têm bomba atômica, Hollywood e Disneylândia, mas não possuem um sistema universal de saúde gratuita. Há planos de saúde particulares individuais, sindicais e corporativos e, também, sistemas subsidiados e controlados pelo governo, contudo todas as coberturas médicas são sempre pagas de maneira que uma parcela considerável da população estadunidense, obviamente os mais pobres e imigrantes, não têm acesso à saúde gratuita.
Recentemente, o governo criou uma legislação, conhecida por Obama Care que obriga as empresas a bancarem planos de saúde básicos para os seus funcionários, sem qualquer tipo de desconto em folha. Este plano cobra uma taxa mensal pequena das empresas e um tipo de "franquia" quando o funcionário usa o seguro em casos mais custosos. O famoso caso "Hobby Lobby", uma megastore de bricolagem e decoração, inicia quando uma funcionária de uma das lojas da rede decide fazer um aborto e a empresa se recusa a pagar pela franquia do procedimento. O caso chegou ao Supremo com a defesa alegando razões de convicção religiosa. Durante todo o processo a empresa foi massacrada pela imprensa e por ativistas de esquerda que chegaram a propor boicote a Hobby Lobby e a dizer que se a empresa era tão cristã e dizia administrar seu negócio segundo os princípios cristãos não deveria vender nada que viesse de países onde há desrespeito a leis humanitárias para o trabalho.
Os evangélicos contrapuseram os boicotes com apoio e fidelidade nas compras e campanhas de oração. A Hobby Lobby" ganhou a ação e não pagou pelo aborto.
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| A empresa controlada por cristãos evangélicos mobilizou crentrs de todo o país na sua luta pelo direito de recusar pagar pelo aborto de uma funcionária, como manda lei do Obama Care. |
Para os que desconhecem a matéria, os valorosos e avançados Estados Unidos têm bomba atômica, Hollywood e Disneylândia, mas não possuem um sistema universal de saúde gratuita. Há planos de saúde particulares individuais, sindicais e corporativos e, também, sistemas subsidiados e controlados pelo governo, contudo todas as coberturas médicas são sempre pagas de maneira que uma parcela considerável da população estadunidense, obviamente os mais pobres e imigrantes, não têm acesso à saúde gratuita.
Recentemente, o governo criou uma legislação, conhecida por Obama Care que obriga as empresas a bancarem planos de saúde básicos para os seus funcionários, sem qualquer tipo de desconto em folha. Este plano cobra uma taxa mensal pequena das empresas e um tipo de "franquia" quando o funcionário usa o seguro em casos mais custosos. O famoso caso "Hobby Lobby", uma megastore de bricolagem e decoração, inicia quando uma funcionária de uma das lojas da rede decide fazer um aborto e a empresa se recusa a pagar pela franquia do procedimento. O caso chegou ao Supremo com a defesa alegando razões de convicção religiosa. Durante todo o processo a empresa foi massacrada pela imprensa e por ativistas de esquerda que chegaram a propor boicote a Hobby Lobby e a dizer que se a empresa era tão cristã e dizia administrar seu negócio segundo os princípios cristãos não deveria vender nada que viesse de países onde há desrespeito a leis humanitárias para o trabalho.
Os evangélicos contrapuseram os boicotes com apoio e fidelidade nas compras e campanhas de oração. A Hobby Lobby" ganhou a ação e não pagou pelo aborto.
Oposição inesperada
Ao contrário do que se poderia imaginar, a primeira oposição mais contundente à lei partiu de uma grande denominação religiosa do estado de Indiana e que, rapidamente, encontrou o apoio de outras comunidades cristãs. A Igreja Cristã (Discípulos de Cristo) com sede em Indianópolis a quase um século, distribuiu declaração avisando que irá deslocar o encontro nacional da denominação do estado de Indiana, um evento reunindo milhares de cristãos, em repudio a nova lei estadual além de suplicar que a lei seja vetada.
"Como cristãos, somos particularmente sensíveis aos valores Daquele que seguimos - O Cristo que se se sentou à mesa com pessoas de todas as esferas da vida e amou a todos eles", declarou uma das lideranças da Igreja Discípulos de Cristo, a Rev. Sharon Whatkins. (foto).Obviamente, outros grupos cristãos já somam esforços no apoio a lei. Contudo, a maioria concorda que os dois assuntos "Aborto" e "Gays" são incomparáveis. Uma coisa é apoiar mais uma batalha na guerra contra o aborto e outra é apoiar uma lei que pode, facilmente, descambar na peça central de um apartheid gay.
A batalha, contudo, está apenas no inicio e, logo irá para a esfera econômica. Outros negócios e convenções já informaram que pretendem boicotar o estado de Indiana, movendo seus eventos para outros estados. Indiana é um estado estadunidense que recebe muitos eventos nacionais e mundias, por ser uma localidade central, com excelente estrutura e preços muito competitivos.
Tempestade que se forma no Brasil
Entre o médico que se recusa a fazer um aborto, a babá que não quer trabalhar num lar gay, uma escola que recusa uma criança afeminada ou filha de gays e um restaurante que nega atendimento a um casal gay há gradações imensas levando esta lei a uma zona cinzenta. O direito à liberdade religiosa é fundamental, mas também a igualdade diante das leis. Muita água irá correr debaixo desta ponte e este é um prenuncio do que se forma aqui no Brasil, este país que aposentou o homem cordial e a democracia racial e mergulhou fundo na luta de classes pelas mãos da estratégia eleitoral maniqueísta do PT. O crescimento da bancada evangélica, nos padrões atuais e o aumento do poder e da agressividade do lobby "progressista" com a sua agenda contrária a família e a vida são os ventos da tempestade que se forma no horizonte. Resta saber, se a opção pelo embate, tomada pelos dois lados, foi uma escolha inteligente ou se ficaremos reféns desta batalha que virou meio de vida para muita gente.



