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Condenou o mundo!


Por Marcelo Lemos

Gosto muito da literatura Patrística, em cujas páginas encontro valiosos tesouros da história e da fé cristã. Entre os chamados “Pais da Igreja” encontro teólogos e pregadores de primeira grandeza, apologistas ousados e destemidos, além de uma multidão gloriosa de mártires. Dentre os meus preferidos figura Atanásio. Já contei um pouco se sua saga em outro artigo. Atanásio lutou durante muitos anos contra a heresia Ariana, que dentre outras coisas, negava a Divindade do Cristo. Uma doutrina semelhante à sustentada hoje pelas Testemunhas de Jeová. Sua garra e perseverança na defesa da sã doutrina lhe rendeu, ainda em vida, o título de “Coluna da Igreja”, aclamação feita por Gregorio Nazianzeno, bispo de Constantinopla (‘Discurso’ 21,16).

A vida de Atanásio foi uma guerra incansável e perseverante contra a Heresia, desde sua juventude. Um exemplo a ser seguido hoje. Vivemos tempos onde à defesa da fé é vista com desconfiança, ou até mesmo com desprezo. Hoje se valoriza mais os sentimentos que a Verdade.  Nossos jovens abrem mão do censo critico, da análise, do estudo e dos exercícios intelectuais. Estamos vivendo um cristianismo pretensamente ‘místico’, destituído de conhecimento. Pior, caminhamos para um falso cristianismo, muito pior que aquele combatido nos dias da Reforma.

“Os cristãos devem afirmar que, visto que estudar teologia é conhecer a Deus, e esse é o maior propósito do homem, a teologia, portanto, possuiu um valor intrínseco. Jeremias 9.23-24 diz: Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o SENHOR” (1) (CHEUNG, Vincent; Teologia Sistemática; Editora Monergismo).

Ainda moço, acompanhando seu Bispo, Alexandro (de que era secretário na metrópole egípcia), Atanásio participou do memorável Concílio de Nicéia; concílio ecumênico convocado pelo Imperador Constantino com vistas a manter a unidade da Igreja, gravemente ameaçada pelas teorias de Ario, na época presbítero de Alexandria. Daquelas reuniões e debates nasceria o Credo de Nicéia (2), documento de grande valor teológico para as várias tradições cristãs ao longo da História. Os evangélicos mais tradicionais certamente o conhecem, e provavelmente até o usam em sua Liturgia (3), como fazemos os anglicanos em nossas Celebrações da Ceia do Senhor (4).  

A crise ariana, contudo, não foi completamente sanada com a decisão do Concílio de Niceia. A guerra teológica durou décadas (5), e foi especialmente devido as jogadas políticas de Constantino, e depois, por seu filho, Constâncio II. Ambos, especialmente o segundo, estavam dispostos a tudo para manterem a unidade do Império – o que incluía tolerar a heresia de Ário. A batalha teológica durou várias décadas, e por cinco vezes, ao longo de 30 anos, Atanásio se viu obrigado a fugir, tendo vivo ao todo 17 anos de exílio. Uma vida dedicada à defesa da Fé Cristã.

Como se sabe a História da Igreja contém suas próprias lendas - nem mesmo a Tradição evangélica (protestante) escapa dessa sombra (6). Há quem diga que um pequeno episódio que narraremos daqui a pouco nunca teria acontecido. Mas, mesmo que não seja um fato histórico, serve muito bem para representar o ânimo incansável de Atanásio na defesa da Religião Cristã.

Por aproximadamente meio século Atanásio foi o regente incansável do Cristianismo no Egito. Não foi uma tarefa fácil. O partido ariano, derrotado em Nicéia, lançou contra ele inúmeros ataques. Eusébio, por exemplo, questionou a validade de sua eleição e sagração episcopal, e exigiu que Ario, o herege, fosse readmitido na Igreja de Alexandria. Atanásio resistiu, negou-se a abrir mãos de suas convicções, mesmo quando o próprio Imperador Constantino ordenou a reintegração de Ário.

A luta continuaria. Eusébio alia-se aos malecianos, que passam a fazer falsas acusações contra o apologista. Mas até mesmo o Imperador foi forçado a admitir a inocência de Atanásio, o que não poria fim no levante de falsas acusações; dentre elas, que ele teria ordenado ao presbítero Macário que derrubasse o altar e quebrasse o cálice do sacerdote meleciano Isquias, e de ter assassinado o bispo egípcio Arsênio. Perante um sínodo em Tiro, em 335 d.C., foi deposto pelo Imperador, e exilado em Treves. Constantivo achava que apenas assim poderia restaurar a paz religiosa no Império.

O herege Ário, no entanto, não pode sentir o gosto da momentânea vitória; próximo de ser admitido na Igreja de Constantinopla, a morte trágica o surpreendeu. O fim trágico do herege parece ter causado alguma forte impressão em Constantino, que imediatamente mandou chamar o bispo exilado. Porém, nem mesmo estes fatos arrefeceriam a batalha.

Os eusebianos não haviam desistido de lutar. Nem Atanásio!

Um momento emblemático da ousadia ariana se deu em certa noite de 355 A.D., quando Eusébio surgiu em Roma, sequestrou o próprio ‘Papa’ e o conduziu a Milão, residência do Imperador. Novamente Atanásio estava no exílio, e o Bispo de Roma, Libério, foi seu incansável defensor. Libério não retrocedeu perante as investidas do próprio Imperador Constâncio. Estava disposta a defender Atanásio e a Ortodoxia da Religião Cristã. Por isso, assim como Atanásio, foi punido com o exílio, em Beréia. Os arianos aparentemente haviam vencido. Um Sínodo reunido em 357, Sínodo de Sirmio, declarou que o Filho era subordinado ao Pai.

Em meio a tantas lutas, e até perigo iminente de morte, o herói da Fé, Atanásio, teria ouvido de um conselheiro no campo de batalha: “Atanásio, desista de tudo isso! Olhe a sua volta, o mundo inteiro está contra você!”. Sem pensar duas vezes sua resposta tornou-se lendária na História da Igreja: “Então assim será: Athanasius contra mundum!.

Não sabemos se tal diálogo realmente aconteceu; o que não importa, já que o ditado reflete com toda fidelidade a disposição inquebrável do nosso herói.

Atanásio, por seu amor a Verdade, e sua luta constante contra a Mentira, condenou o mundo, e venceu. A Verdade sempre triunfa. Quando morreu o Imperador Constãncio, em 361 A.D., todos os exilados foram chamados de volta, inclusive Atanásio. O herói perseguido celebrou no ano seguinte, 362, um Sínodo em Alexandria, e o arianismo foi novamente condenado pela Igreja. Ao contrário de seus opositores, Atanásio não era um homem rancoroso e, com seu coração de pastor, conseguiu muitos heréticos voltassem para a comunhão da Igreja.

Depois que finalmente os arianos foram derrotados, surgiria uma nova heresia, semelhante a primeira. Chamava-se Macedonianismo... Novamente nosso herói seria chamado ao campo de batalha. Mas esse é outro capítulo.

Desafiou o mundo, e o condenou. Assim fez também Noé, apontado entre os nomes da mais sacra lista de Heróis da Fé que conhecemos. “Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a Arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hebreus 11.7).

E nós? Que faremos diante da batalha?

Marcelo Lemos, a apologia com esperança do Olhar Reformado para o Genizah.
______________________

(1) New International Version (NIV). 

(2)Texto do Credo: “ Cremos em um só Deus, Pai, Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo e da Virgem Maria, e tornou-se homem, e foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas. E na Igreja una, santa, católica e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro. Amém.

(3) Nos outros ofícios o Livro de Oração Comum prescreve a leitura do Credo Apostólico. O Credo Apostólico era também a escolha da Divina Liturgia, elaborada por Calvino, segundo o uso da Igreja de Genebra.

(4) Nas rubricas para a Oração Matutina, do Livro de Oração Comum, há ainda a prescrição de outro documento que demonstra a importância do pensamento de Atanásio da Teologia Reformada; trata-se do Credo Atanasiano, Quicunque vult. Já o Credo Niceno é também utilizado na liturgia da Igreja Reformada da América (RCA); da Igreja Cristã Reformada da América do Norte (CRCNA);

(5) Já durante as deliberações do Concílio de Niceia o debate prometia ser caloroso e longo. Ário foi apoiado por cerca de 16 bispos “eusebianos”, e teve direito de expor, previamente, suas opiniões nas sessões preparatórias do Concílio. Naqueles dias, alguns heróis da fé já despontavam: “seguiram-se longas e acaloradas discussões, nas quais se distinguiram como defensores da ortodoxia os bispos Marcelo de Ancira e Estácio de Antioquia, e, mais do que todos, o jovem diácono Atanásio de Alexandria” (ROMÂO, Frei Dagoberto; Compêndio de História da Igreja; Volume I; pg. 196).

(6) As 95 Teses de Lutero são um bom exemplo. Alguns estudiosos tem questionado se realmente Lutero as teria pregado nas portas da Igreja do Palácio de Wittenberg. Os protestantes gostam de contar como aqueles “ressonantes golpes de martelo” teriam desencadeado uma nova era espiritual em toda a Europa. O que se sabe com certeza é que suas 95 Teses foram enviadas em 31 de Outubro de 1517 ao Arcebismo de Magdeburg, Albrech von Hohenzollen. Alheio aos detalhes históricos, os ideais de Lutero incendiaram a Europa e o mundo (MOLDEN, Verlag Fritz; O que realmente disse Lutero; Editora Aguilar; em espanhol).

* O subsídio litúrgico que enriquece este artigo não seria possível sem o trabalho magistral do irmão Eduardo Chagas, editor do blog Liturgia Reformada; exceto pelo LOC Reformado, cujos créditos pertencem a Igreja Anglicana Reformada.

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  1. Parabéns ao articulista. Difícil achar quem cite os pais da igreja e os primeiros apologistas. Muito bom mesmo. Também sou fã de Atanásio e cada vez que leio algo sobre ele fico a imaginar como seria interessante um filme sobre sua vida e obra. O cristãos hodiernos deveriam conhecer mais sobre Atanásio e Tertuliano.

    Grande abraço

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  2. Outro dizeres de Atanásio e Gregório Nazianzeno:

    Atanásio:

    "Como o corpo do Senhor foi colocado a sós no sepulcro, para que udesse demonstrar sua ressurreição, talvez por motivo semelhante seu corpo proveio de MARIA, como FILHO ÚNICO, para que crêssemos em sua origem divina"

    "A Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que Ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é a Palavra do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da VIRGEM MARIA, MÃE DE DEUS"

    "MARIA É MÃE DE DEUS, completamente intacta e impoluta."


    Gregório:

    “Este pão do céu requer que se tenha fome. Ele quer ser desejado”. “O SANTÍSSIMO SACRAMENTO é fogo que nos inflama de modo que, retirando-no do altar, espargimos tais chamas de amor que nos tornam terríveis ao Inferno”.

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  3. Conheço esse Credo de cor pois já fui católico. Mas não entendi bem isso: "Daquelas reuniões e debates nasceria o Credo de Nicéia, documento de grande valor teológico para as várias tradições cristãs ao longo da História. Os evangélicos mais tradicionais certamente o conhecem, e provavelmente até o usam em sua Liturgia, como fazemos os anglicanos em nossas Celebrações da Ceia do Senhor".

    Como assim? Protestantes rezando um credo que diz: "E na Igreja una, santa, católica e apostólica"?
    Cristãos tendo comunhão com o romanismo?

    Jesus, "me" explica isso!

    Will

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  4. Além de que, se for verdade que o Atanásio disse o que o anônimo de cima escreveu, já dá pra ver que ele defendia crenças romanistas como dizer que Maria é mãe de Deus, sempre virgem, imaculada... Já nesse ano se defendia essas crenças católicas, afastadas da pureza do Evangelho.

    Sério, alguém me explique isso, por favor. Não podemos ter comunhão com as trevas.

    Lembrem-se:
    "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará".

    Soli Deo Gloria

    Will

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  5. A ignorância "evangélica" cada dia me impressiona mais. Alguns comentários acima mostram isso bem.

    Primeiro, sobre o Credo afirmar que a Igreja é "una, santa, católica". Por acaso Jesus tem DUAS IGREJAS? Se não tem, ela é UMA. Por acaso a Igreja não é SANTA? Por acaso a Igreja pertence a um povo, tribo ou nação? Se não, então ela é CATÓLICA. Agora, pode ser que a "sabedoria" gospel não saiba o significado do termo "católico"... Aí já não tenho nada com isso.

    Segundo sobre Atanasio dizer que Maria é Mãe de Deus. Disse mesmo. Agora, será que os "gospi" sabem o que isso quer dizer? Acredito que não sabem, pois do contrário não falariam besteira. O termo surgiu para afirmar que Jesus mesmo sendo homem era Deus. Deus Encarnado. Então, Maria é mãe de Deus Encarnado.

    Terceiro; sobre ele ter tido que Maria permaneceu virgem. Calvino também disse, e Lutero também. E daí?

    É justamente tal ignorancia gospi que os "gospi" tentam evangelizar todo mundo que não usa termo e gravata... uns mais, outros menos, mas o fundamento é o mesmo...

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  6. Alto lá, Calvino e Lutero romperam com a Babilônia!

    De nada adianta colocar palavra na boca dos outros.
    Mostre o livro ou sermão onde eles tenham falado isso (se é que existe...kk).

    E mesmo se os pais da Reforma tiverem falado essas heresias absurdas - o que duvido muito -, isso não muda muita coisa pois nós, cristãos protestantes, não atribuímos infalibilidade a Lutero, Calvino ou quem quer que seja.

    Você é católico, Marcelo?

    Will

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  7. Concordo em gênero, número e grau com o comentário acima de Marcelo Lemos, nada acrescentar, pois irretocável.


    Pb. Mauro Silva/Rio de Janeiro

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  8. Will disse: "Calvino e Lutero romperam com a Babilônia..."

    Lutero foi excomungado, enxotado da Igreja, Calvino nunca conseguiu ser ordenado padre e em seu primeiro livro de teologia ele ataca os anabatistas, os protestantes mais parecidos com os evangélicos de hoje!

    "...não atribuímos infalibilidade a Lutero, Calvino..."

    Só atribuem infabilidade a si mesmos, seja na sua interpretação pessoal da Bíblia, seja na fundação de seitas que tentam reiniciar o cristianismo, e que dirá da infabilidade dos pastores nos púlpitos? Não é o Espírito Santo falando pela boca do pastor?

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  9. Eu não vou nem comentar os dois comentários de evangélicos, pois mostram tamanha ignorância sobre a fé da Igreja Católica de Santo Inácio de Antioquia, discípulo de São João Apóstolo e Evanegelista, que só ele mesmos, buscando estudar as doutrinas dos Padres das Igreja e dos Concílios Ecumênicos, poderão entender. É incrível como protestante distorce tudo o que as Igrejas tradicionais ensinam, sem ao menos saber o que os próprios fundadores de suas seitas disseram sobre o assunto!

    Mais uma vez um belo texto do Sr. Marcelo Lemos, sendo distorcido pelos crentes. Ta dando até "preguiça" de ler comentários, porque é cada absurdo "protestante" que se lê...

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  10. Você é católico, Marcelo?

    Will

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    Este nem se preocupou em ler o texto, que mostra claramente que Sr. Marcelo Lemos é anglicano. Nem deve saber a teologia da Igreja Anglicana. E chamar Roma de "Babilônia" é a velha esquizofrenia apocalíptica inventada pelos protestantes e suas interpretações transloucadas do apocalipse.

    É aí que vemos a importância da educação, do conhecimento, da sabedoria, da busca pela informação, do estudo e da razão. A começar, pedindo a Deus sabedoria, se é que se quer a sabedoria DE DEUS, ou a própria sabedoria superposta à de Deus.

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  11. Querido Will;

    Vamos as suas perguntas:

    “Você é católico, Marcelo?”

    Eu respondo com outra pergunta: você sabe o que o termo ‘católico’ significa? Parece não saber, e não te culpo, já que a Igreja Brasileira de um modo assustador não é dada a reflexões teológicas, e desconhece a própria história.

    “Mostre o livro ou sermão onde eles tenham falado isso (se é que existe...kk)”

    Eis a prova do que estou falando, quando um brasileiro diz “sou protestante”, não quer dizer que ele saiba o que foi “ensinado pelos protestantes” – significa apenas que eles não gostam da Igreja Católica Romana. Você não conhece o que Lutero escreveu, mas lá em cima me criticou tentando usar eles contra mim!!!!!!!

    Não deixa de ser engraçado, né?

    Lutero, Maria mãe de Deus: “Por isso em uma palavra compendia-se toda a sua honra: quando se a chama mãe de Deus, ninguém pode dizer dela maior louvor. E é preciso meditar em nosso coração o que significa ser mãe de Deus”.

    Fonte: Lutero, Comentário ao Magnificat, de 1521, [FiM95], pg.1121.Sermão, 1522:WA 7,572.

    Lutero, Maria sempre virgem: “Ele, Cristo, nosso Salvador, era o fruto real e natural do ventre virginal de Maria … Isto aconteceu sem a participação de qualquer homem e ela permaneceu virgem mesmo depois disso”.

    Lutero, “Sermões sobre João”, cap. 1 a 4, 1537-39 dC

    Calvino, Maria mãe de Deus: “Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus”.

    Calvino, Comm. Sur l’Harm. Evang., 20

    Agora, VOCÊ DIZ QUE NÃO TEMOS PAPA. Verdade, não temos. Calvino e Lutero não foram papas, e VOCÊ TAMBÉM NÃO É! Assim, o que é importa aqui é: eu falo daquilo que conheço, de pessoas que sabiam do que falavam, e você? Você não conhece o significado de um temos tão comum na teologia como “católico” ou “universal (como queira e prefira!!!), e nem conhece a história da Igreja. Então, entre aqueles que não são Papas, fico com quem sabe do que está falando.

    Abraços.

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  12. puxa quanta teologia,esqueceram de explicar isto aos catolicos em geral pois que andam errantes confiando em estatuas de gesso e o evangelho apostolico passa longe eu fui catolico a muito tempo e como muitos amigos meus que nao sabem nada de biblia ate´hoje assim era,hoje parece que estamos retornando ao passado e assim como os catolicos muitos confiam em objetos,rituais ,simpatias gospel,amuletos, tststs...

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  13. Bom, não vou negar que estou surpreso com essas declarações e até meio chocado... Ah, não tinha me dado conta de que o Marcelo que está comentando é o autor do texto. Desculpe.

    Mas isso ainda não está claro pra mim. Antes de tudo, afirmo que não sou infalível e não acredito que as inspirações que o Espírito Santo me dá são garantia de infalibilidade, pois sempre penso que muito do que acho ser inspiração pode ser na verdade obra da carne.

    Partamos daqui: "Então, entre aqueles que não são Papas, fico com quem sabe do que está falando."

    Certo. O problema é discernir entre a obra desses teólogos o que é obra de Deus e o que não é (não são infalíveis, certo? Logo, são passíveis de crítica).

    Bom, vou ser humilde e admitir que não tenho conhecimentos profundos (talvez nem mesmo superficiais) de teologia e então peço que vocês, sábios, me expliquem como é possível aceitar a Verdade revelada e ao mesmo tempo subscrever isso que foi citado de Lutero:

    "Lutero, Maria sempre virgem: “Ele, Cristo, nosso Salvador, era o fruto real e natural do ventre virginal de Maria … Isto aconteceu sem a participação de qualquer homem e ela permaneceu virgem mesmo depois disso”.

    Juro pra vocês que é a primeira vez em toda minha vida que estou vendo um não-católico defender a virgindade perpétua de Maria, acho que com mais vigor até do que certos católicos desleixados que conheço, que acho que nem sequer leem aqueles folhetos da missa, quem dirá a Palavra de Deus...

    Não acho necessário citar os versículos bíblicos que falam dos filhos de Maria, pois certamente vocês os conhecem. Como é que fica essa situação, então?

    E isso: "Lutero, Maria mãe de Deus: “Por isso em uma palavra compendia-se toda a sua honra: quando se a chama mãe de Deus, ninguém pode dizer dela maior ***LOUVOR***. E é preciso meditar em nosso coração o que significa ser mãe de Deus”.

    Louvar a "sempre-virgem" Maria???????

    Sério, com humildade, expliquem pra mim o que vocês entendem dessas afirmações e se concordam com elas e porque concordam com elas. Nunca conheci alguém que não seja católico-romano (está certo assim, agora?) defendendo essas coisas. Chego a pensar que vocês possam até ser católicos-romanos disfarçados...

    Não sou troll, estou perguntando de verdade.

    Will

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  14. Olá, Will. Como vai. Se me permite, gostaria de esclarecer algumas coisas que não foram colocadas acima. não quero te atacar, apenas trocar-idéias.

    Primeiro - não sei qual a sua denominação. Algumas igrejas não incentivam seus membros ao estudo teológico. Talvez seja esse o seu caso. Aconselharia a ler alguns livros de teologia sistemática.
    Segundo - Lutero nunca rompeu com a Igreja Romana. Na verdade, ele morreu se dizendo católico. Ele queria mesmo era reformar a igreja, não romper com ela.
    Terceiro - a palavra "católico" é muito antiga. Seu significado é "universal". Foi amplamente utilizada pelos pais apostólicos.
    Quarto - Alguns teologos durante a história realmente chegaram a afirmar que Maria era sim a mãe de Deus. Contudo, essas afirmações devem ser lidas e entendidas dentro do contexto. Se reconhecemos que Jesus é Deus, então Maria automaticamente passa a ser mãe de Deus. Em hipótese alguma esses teólogos atribuíram a Maria o status de "Mãe superior de Deus", como se ela fosse até mesmo mais poderosa ou importante que Jesus. Hoje, temos uma teologia mais elaborada e podemos afirmar que Maria é a mãe da natureza humana de Jesus, ficando Sua natureza divina sem mãe.
    Quinto - a palavra louvor signifca "elogio". Isso significa que, quando você elogia alguém (pai, mãe, namorada, etc) está louvando. O que não se pode é adorar a Maria.

    Fica na Paz, meu querido. Segue alguns escritores bons para esclarecer melhor a sua fé. Grande abraço

    C.S.Lewis; A.W.Tozer; John Piper; Renato Vargens.

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  15. Will;

    Veja, você NÃO PRECISA concordar com as declarações de Lutero ou de Calvino sobre tudo. Eu mesmo, ferrenho calvinista, discorde de muitas coisas em João Calvino - acho, por exemplo, que sua exegese de Isaías 45.7 muito fraca, para não dizer ruim.

    O que você precisa é buscar compreender conceitos teológicos a fim de poder, ainda que discordando, não falar bobagem. Por exemplo, quando você tenta usar o termo "católico" para criticar o texto que escrevi. Ora, o termo católico não se refere a Igreja de Roma, assim como o termo "universal" não se refere a igreja do Edir Macedo. "Catolico" e "Universal" referem-se ao fato de que a Igreja não pertence a um povo, a um tribo ou cultura. Significa também, dentro da tradição reformada, que a Igreja de Cristo é UMA, e não está ligada a "placas de Igrejas"; de modo que, ainda que discordemos em muitos pontos, formamos UMA UNICA IGREJA.

    Quanto as declarações de Lutero sobre Maria, Mãe de Deus, digo o seguinte: os reformados não prestam culto a Maria, no entanto, sempre mantiveram um espírito de respeito e reverencia a ele e aos demais santos. Hoje muitos evangélicos tendem a tratar Maria desrespeitosamente, mas os reformadores originais nunca fizeram isso!

    E quando Lutero fala em "louvar" não quer significar "prestar culto" ou "orar para ela pedindo intercessão" - tudo isso os Reformados abandonaram! Quer dizer apenas que os cristãos devam lhe reverenciar a memória. Isso é bíblico? A Bíblia diz que todas as gerações a chamariam "Bem-aventurada".

    Quanto aos "filhos" de Maria, Lutero, Zwínglio, e Calvino interpretavam de acordo com algum costume judaico. Calvino escreveu: " "Certas pessoas têm desejado sugerir desta passagem [Mt 1,25] que a Virgem Maria teve outros filhos além do Filho de Deus, e que José teve relacionamento íntimo com ela depois. Mas que estupidez! O escritor do evangelho não desejava registrar o que poderia acontecer mais tarde; ele simplesmente queria deixar bem clara a obediência de José e também desejava mostrar que José tinha sido bom e verdadeiramente acreditava que Deus enviara seu anjo a Maria. Portanto, ele jamais teve relações com Maria, mas somente compartilhou de sua companhia... Além disso, nosso Senhor Jesus Cristo é chamado o primogênito. Isto não é porque teria que haver um segundo ou terceiro [filho], mas porque o escritor do Evangelho está se referindo à precedência. Assim, a Escritura está falando sobre a titularidade do primogênito e não sobre a questão de ter havido qualquer segundo [filho]“. (João Calvino, "Sermão sobre Mateus", publicado em 1562).

    Você precisa concordar? Não; mas se desconhece o tema irá discordar baseando-se em coisas que não estão sendo debatidas, acusará ou outro de algo que ele não faz, etc.

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  16. Em outras palavras, não é verdade que meu texto sugira, como outro escreveu, esta fazendo VOLTAR AO PASSADO, ou sendo não-evangélico, ou promovendo idolatria. Calúnia! Mentira! O meu texto apenas reflete FATOS HISTÓRICOS/TEOLÓGICOS sobre a Fé Evangélica, que nenhum dos criticos, até mesmo o anonimo que compara a idolatria, seria capaz de negar. Será que ele, por exemplo, se deu ao trabalho de baixar e ler as referencias documentais que coloquei nas notas? Quase certo que não!

    E mesmo assim, a acusação de trair a fé evangélica, recai sobre mim... he, he, he

    Abraços pessoal.

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  17. Will,

    Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada Provérbios 31:30

    E essa palavra louvada é a mesma palavra hebraica usada para louvar o próprio Deus.

    Esse louvor é uma veneração, não é adoração, é dulia e hiperdulia e não é latria. Adoração (latria) você pode expressar da mesma forma que a veneração (dulia), só que você SABE que quem está sendo adorado (latria) é Deus! você reconhece como Deus. Quando você venera(dulia) é por que você sabe que quem está sendo venerado é apenas uma criatura, não é divino, não é Deus.

    Dulia, hiperdulia, latria... pra você pode ser tudo lixo, mas as palavras Trindade e União Hipostática também não existem na Bíblia e vocês evangélicos acreditam nelas, pelo seu critério fundamentalista deveriam abandonar estes dogmas católicos.

    Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia, e lá me verão Mateus 28:10

    As vezes os discípulos de Jesus eram tratados como sendo irmãos de Jesus.

    Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes João 7:3

    E as vezes os conterrâneos de Jesus também eram tratados como irmãos.

    Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também 1 Coríntios 15

    Quantos irmãos!

    Palavras hebraicas e aramaicas "ha" e "aha" são traduzidas ou como irmãos, ou como primos ou até parentes em geral.

    A Tradição Apostólica dá segurança ao Magistério da Igreja para interpretar as Escrituras Sagradas, os protestantes rejeitam a Tradição e cada evangélico individualmente faz o papel do Magistério da Igreja, o evangélico procura o que deseja na Bíblia e sempre encontra o que procura, por isso as milhares de denominações, cada uma querendo reiniciar o cristianismo, e cada uma já trazendo em si mesma o germe da divisão, pra cada denominação ou igreja nova já existe um grupo em seu meio querendo reformar, reavivar, dividir, e este espírito de divisão não provém de Deus.

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  18. Tudo bem. Não conheço o tema então não vou ficar discutindo. Vou ler sobre e me informar melhor pra conhecer sobre esse lado protestante do qual eu nunca ouvi falar. Como falei, nunca conheci um cristão não-católico falando algo parecido.

    Se alguém do reteté ler isso, vai querer exorcizar vocês e vai dizer que vocês estão possessos por espíritos de idolatria, entre outras coisas.

    Fui dar uma fuçada no blog que você deixou o link (Liturgia Reformada) e fiquei muito surpreso ao ler que quem o escreve defende o batismo infantil, algo que em geral se costuma usar pra criticar a ICAR.

    Mas o que mais me surpreendeu em tudo foi esse texto: http://liturgiareformada.blogspot.com/2011/03/quais-as-partes-em-sequencia-da.html

    Isso se parece demais com uma missa!!!!
    Bom, vou mostrar isso pra alguns amigos e tenho certeza que eles vão fazer a mesma cara que eu. E aviso que vocês serão muito xingados pelos que são fanáticos (não é meu caso).

    Ainda estou meio chocado.
    Bom, Deus os abençoe.

    Will

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  19. Will;

    Veja que o meu Bispo, Josep Rossello chegou a ser "evangelizado" semana passada por um pastor que não acreditou quanto ele disse que também era evangélico, rsrsrsrsr. Ele escreveu sobre o assunto, e seu texto foi publicado aqui no Genizah ("Aos Assembleianos o que é dos assembleianos", dê uma olhada).

    Como eu disse, não é o caso de te culpar por tudo isso, pois é algo muito comum, mesmo entre lideranças de renome - por que não seria no meio dos membros?

    Você cita o Batismo Infantil. Bem, o Batismo infantil é aceito pela MAIORIA DOS CRISTÃOS: anglicanos, metodistas, independentes, presbiterianos, muitos pentecostais, e assim por diante. Então, veja como a falta de informação corre a solta e a galope no mundo "gospi" brasileiro.

    Não é assustador?

    Paz e bem

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  20. Deus em tempos de crise sempre levanta um arauto destemido para defender as doutrinas bíblicas.
    Atanásio foi um bispo exemplar que lutou contra as heresias arianas que negavam a divindade de Jesus, hoje carecemos de verdadeiros apologistas defensores das verdades cristocêntricas, pois o evangelho de Cristo está sendo relativizado, e barganhado como se fosse uma mercadoria sem valor.

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