681818171876702
Loading...

A DIFERENÇA ENTRE DÚVIDA E INCREDULIDADE



Antônio Carlos Costa



A incredulidade, conforme já foi dito, é a raiz do pecado e da ansiedade. Agora isto é declarado explicitamente por Cristo: “... homens de pequena fé”. Por que Cristo faz essa afirmação referente à vida dos seus ouvintes? A razão principal deve-se ao fato de que ele estava se dirigindo a pessoas que encontravam-se sob o fardo da preocupação com a vida. Homens e mulheres petrificados com a possibilidade de ficarem privados do básico para viver. O que Cristo tem a lhes dizer é para muitos surpreendente. Ele não justifica os temores dos seus ouvintes. Não lhes oferece a mínima sugestão de que a resposta deles à vida era inevitável. O que Cristo afirma com muita franqueza é que eles jamais viveriam da forma como viviam se tivessem em seus corações um nível maior de confiança em Deus. Anos mais tarde o próprio Cristo seria provado no que estava falando, pois na cruz ele teria que afirmar o amor de Deus apesar da experiência de provar o inferno na sua vida sem pecado. Pendurado no madeiro ele é ainda capaz de chamar Deus de Pai.

Há uma diferença clara entre incredulidade e dúvida. A incredulidade é uma recusa deliberada a crer. Nasce do desejo de rejeitar o que é verdadeiro sobre Deus por motivo de conveniência. É olhar para Deus, não se agradar do que se vê e recusar-se a confiar. Há volição na incredulidade. Parece quase impossível que uma coisa como essa aconteça. O que levaria uma pessoa a sufocar a verdade que dá sentido à própria existência? Porém, a Bíblia ensina com clareza que há algo como a incredulidade. Os incrédulos tomaram conhecimento da verdade e não se agradaram dela. Nem todo o que crê em Deus ama o que sabe ser verdadeiro. Os demônios crêem e tremem. Sua fé só serve para aterrorizá-los. Uma coisa é saber que Deus existe. Outra coisa é amar a Deus. Apologistas cristãos precisam saber disso. Levar uma pessoa a crença na existência de Deus e veracidade do cristianismo não é suficiente. Todo o ser humano carece de uma obra do Espírito Santo no coração, por meio da qual as afeições são afetadas numa tal extensão que, o homem é levado a amar o que passou a saber ser verdadeiro sobre Deus.

Já a dúvida é uma fraqueza e doença da fé. É algo que vem e contra o que o crente luta. A dúvida representa a batida à porta da mente e do coração de alguma idéia que exige crença – fé em algo que representa o exato oposto do que Deus ensina na sua Palavra. Há fé na dúvida, pois ela sempre implica na crença em alguma coisa. Por isso que duvidar da dúvida é essencial na vida cristã. Em geral, a dúvida aproveita-se das circunstâncias da vida para prevalecer. Toma o crente de surpresa naquelas horas em que vida e teologia parecem não se harmonizar.


***
Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra, Presidente do Rio de Paz

O quadro acima foi pintado por Caravaggio. Retrata a dúvida de Tomé.






Teologia 4047731359629674348

Postar um comentário

  1. Uma análise acurada entre dúvida e incredulidade. Entendo que a dúvida é inerente a todos, inclusive ao cristão, posto que faz parte da própria natureza humana investigativa. A incredulidade, por seu turno, é simplesmente a ausência da graça salvadora: o homem ainda imerso no pecado (Rm 3:10-12).

    Em Cristo,

    Ricardo

    ResponderExcluir
  2. Glória a Deus,por este texto,ainda mais para mim,pois estou aprendendo a depender de Deus,te dou graças,Senhor...DTA

    ResponderExcluir
  3. Não sei se entendi bem.
    Incredulidade é não querer crer?
    Já fui chamado de incrédulo por não aceitar o que me era oferecido como fruto genuíno do céu. Questionei, indaguei, refutei. Fui incrédulo.

    Na verdade, pelo que vejo, a maioria daqueles que acompanham este - do autor ao seguidores - são candidatos eleitos a "incrédulo".

    E quem não tem dúvidas diante desse mar de informações?
    Hora Deus faz, hora não faz, hora enriquece, hora é indiferente a miséria, hoje ele me ama, amanhã me ignora-me.

    Dúvidas sobre a interpretação da Palavra deveria ser saudável. Se não, estou doente.

    Creio que a melhor palavra para este seria "Confiar".
    Deixar de confiar em Deus seria uma fraqueza - entre tantas em nossa alma. No mais, não conheci ninguém que movimentassem montanhas(jatinhos talvez).

    Nossa fé é pequena mesmo. Jesus deixou isso bem claro.

    Boas Festas.

    ResponderExcluir
  4. Creio ter entendido bem a proposição, talvez (adv. de dúvida) por ter tido experiencias dolorosas nesta área. "A incredulidade é uma recusa deliberada a crer. Nasce do desejo de rejeitar o que é verdadeiro sobre Deus por motivo de conveniência." Excelente definição, ela se aplica a todos os fariseus modernos, lideres absurdamente arrogantes e achando-se inerrantes e inquestionáveis em seus ensinos de homens e interpretações particulares das Escrituras. Chega a dar nojo.

    ResponderExcluir
  5. Acrescento as pessoas a quem Jesus chamou de "Incrédulos" era religiosos da época, amparadas pela ortodoxia de suas religiões saduceus,fariseus, etc..) que mesmo vendo os milagres que Jesus operava, e também conhecedores das profecias, se recusavam a crer.

    Por trás da incredulidade estava o orgulho da religião, e o não reconhecimento da autoridade de Cristo,semelhantemente ao que ocorreu com os profetas antes dele.

    Logo, aplicando aos nossos dias, os incrédulos estão dentro das igrejas, e não somente os ateus, que nem sempre são conhecedores da palavra.

    ResponderExcluir

ATENÇÃO: Comente usando a sua conta Google ou use a outra aba e comente com o perfil do Facebook

emo-but-icon

Página inicial item